minha garganta era segredo. lá no fundo, onde os sons se formavam, ela tremia.
tremia por ser parte iniciante, tremia por ser parte excitada.
já pronunciava a primeira nota, e não falhaste. Minha cabeça fez barulho de arranhão em lata.
rasgando meus ouvidos. penetrando minha alma.
e enfim, cortando lentamente a porta do coração, senti a garganta emitir a voz,
e o arranhão virar música.
Cada parte de mim agora, fisica e psicologamente falando, eram música.
feita de música, já deixei com que as partes de mim deixassem ser levadas pelas notas,
deixassem ser compostas pela melodia,
e eu, harmonica, deixei minha mente dedilhar em mim, fazendo cócegas.
deixei os meus olhos brilharem, feito uma harpa ao longe com a luz do sol a irradiar sobre ela.
deixei meus dedos navegarem pelo microfone, e pelo ar, como um grande navegador rege seu navio.
um grande navegador que já não é controlado pelas ondas. e sim as controla.
então, quando o sinuoso som de fecho da ultima nota me rasgou
saí de lá em pedacinhos esperando pela cola que iria me recompor para a próxima canção.
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Bom, muito bom!
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