Nós nos sentamos, um lado ao outro. Sem pausas conversamos sobre nada, e falamos. Das músicas que tocavam no rádio do carro que andávamos, do carro com o qual cruzávamos o dia inteiro perto ao mar. Dos antigos amores que dizíamos esquecer, mas que, sabíamos ambos, ainda estavam conosco. Mais precisamente, entre nós. Falamos dos nossos pais, que, tão próximos, sempre sonharam que nos casássemos, e rimos com essa situação. E confessamos que, honestamente, e cá entre nós, queríamos que isso já tivesse acontecido. Depois confessamos que talvez se o tivesse não estaríamos atravessando o vento frente ao por do sol, e sim cuidando das crianças pulando no sofá de casa e reclamando feito dois velhos jovens. Era melhor que nos casássemos depois. Apaixonados e sem beijos, sem mãos dadas, sem sussurros. Sem te amos, sem audácias. Mas era como se o nome dele estivesse gravado no meu destino, e o meu, em seu coração. E como uma tatuagem, envelheceria conosco, enquanto nós nunca deixaríamos o amor envelhecer.
Talvez, mais adiante, eu subisse de véu e grinalda e trocaríamos alianças, mas, por hoje, os olhares eram satisfatórios, os risos eram suficientes, e a falta de assunto que a nada levava, apenas a sua atenção na direção, e que nos constrangia, e que nos abalava, marcando seu nome em meu testamento, e meu nome nele se tornou quase vital.
Já não nos importava depois.
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