Tenho me sentido parte grande da minha própria vida, mas hoje vi que tem algo que ocupa um espaço maior. Algos. É bem difícil explicar o que eu senti hoje... No único lugar onde eu não sinto absolutamente nada: no gelo.
Quando eu estou patinando o mundo acaba. Sou eu, e o gelo, sabe? É um pouco diferente do que eu sinto quanto toco violão. Quando eu canto. Porque algumas músicas me levam a lembrar de alguéns, e patinar no gelo é uma ação exclusivamente voltada para minha atenção nas piruetas, o que me priva de pensamentos os quais não são bem vindos.
Por isso patino quando estou triste: me liberto de uma forma produtiva de coisas improditivas (ou não). De qualquer forma, se me deixa mal, produz mal. Negativamente produtivas, pois bem.
Isso não importa.
O que me fez refletir de verdade, foi que o pensamento era algo que eu já tinha esquecido. Apagado. Deletado. Rasgado a página, se a gente for julgar minha vida um livro. Ou... apagado com a água, se fosse um nome na areia rente ao mar. Abstraído. Era algo totalmente out, que não fazia o menor sentido ressurgir justamente aonde nada ressurgia.
Concentrada na pista de gelo, no patins que estava apertando, e nos movimentos. No deslizamento. Dominando o patins antes que ele me dominasse, eu me perdi pensando em alguém.
E se fosse? Porque não foi? O que eu fiz de errado? Porque agora? Porque bem no meio do gelo. Onde tudo era frio? Onde tudo era nada? Onde eu me tornava apenas eu... e os pensamentos eram algo que viriam depois.
Nada nunca veio mais forte... na verdade. Foi muito... tenso. Eu agora estou chorosa, com medo do que vem a seguir, e com medo de achar que isso se foi para voltar.
Eu, que sempre temi os pecados, a gula, a avareza, a luxúria. Eu que sempre temi os erros, as dívidas. Eu que sempre fui politicamente correta com minha vida... Estou cometendo o pior dos pecados capitais, o pior dos erros: arrependimento.
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