sábado, 14 de novembro de 2009

O mundo certo.

Então, passei a manhã tentando imaginar o que seria o mundo perfeito. Um mundo que nós não tivéssemos tanto à reclamar, uma mundo com menos mágoas e mais alegrias. Ou mais erros e mais aprendizados.

É difícil entender e aceitar, principalmente aceitar, a diferença entre o certo e o fácil.

No mundo real, onde os presentes são comprados pelos pais no natal, onde os ovos de páscoa saem de bolsos humanos e não de coelhinhos, onde duendes são seres surreais e fadas, mágicas. No mundo real, onde dinheiro não vem fácil, e é pedido, onde empregos são consequencia de uma boa educação, e onde abraços podem ou não ser sinceros. Já não tenho tamanha paixão pelo mundo real. Eu gostava do mundo real, quando não fazia parte dele.

Quando as fadas eram minhas irmãs, e faziam parte da minha família, moravam no chão embaixo do meu quarto, e conversavam comigo toda noite. E quando um dente meu caía, me deixavam moedas (minha mãe sempre fez questão disso, aliás).
Quando os príncipes resgatavam suas princesas num cavalo branco, e viviam felizes para sempre.

Hoje em dia, no auge da idade onde tudo isso se desmascara, com os meus 14 anos, eu começo a enxergar o mundo, ainda surrealmente, porém de uma forma tão mais concreta... Eu não me orgulho disso. Acho que isso consome alguns dos mais velhos sonhos que estavam nas nossas cabeças. Isso suga esses sonhos, e eles se tornam, não apenas bobos, mas também apenas sonhos. Que nunca vão ser mais que sonhos.

Eu não me orgulho disso. Pois faz de mim mais uma humana, num mundo desenfreadamente capitalista, onde as crianças, preocupadas com a fome, não tem mais tempo de viver no mundo que eu tive a chance de viver.

E eu não me orgulho disso, principalmente, porque vou crescer sabendo da incapacidade dos meus sonhos, e dos sonhos alheios. Vou ser uma adulta que não vai poder sonhar, como as crianças de hoje já não podem. Porque o mundo está nos exterminando, em resposta ao fato de tentarmos exterminá-lo (in)voluntariamente.

Digo, o que são dessas crianças que não são crianças? Como uma criança cresce sem ter sonhado enquanto assistia "A Bela e A Fera". Como alguém não teve alcance aos filmes mágicos surrealistas da Disney? Eu ainda sonho assistindo "Procurando Nemo".

E todos podem dizer que sou tola por sonhar tão alto, quer dizer, tão tolo. Por sonhar tão impossível, por sonhar com contos de fadas. Por sonhar algo tão bom de ser sonhado, e tão difícil de se tornar realidade. Mas gosto disso. Pois, por ser um atual mundo sem sonho de crianças, tudo que nós temos escancarado à nossa frente é um futuro mundo sem realidades sonhadas.

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