Eu sentia a respiração dele na minha nuca. Nada me fazia sentir melhor que ouví-lo tão... vivo. Havia três dias que nada saia de minha boca a não ser a contentação de dizer o quanto o amava infinitamente. E o silêncio tomava conta do espaço depois disso. Preencher o vazio do que restava de nós dois era mágico a todo amanhecer.
E então ele ia embora. Ia e voltava, eu sempre soube que aquilo que me pertencia voltaria sempre. É como um bom livro que você sempre volta a ler. É como alguém que já faz parte de você, e você, simplesmente, não pode deixar escapar.
Pensei, eu, que haveria muito amanhecer para rever, muito sol para ver nascer, muita vida para acordar ao lado da pessoa que mais me fazia sentir viva. Então eu simplesmente deixei com que aquelas memórias dormissem para que eu pudesse compor novas. Afinal, sempre haveria chance.
Enganei-me mas só me dei conta disso ao reparar que um dia a porta se fechou para nunca mais se abrir para ele. Porque ele fora e levara minhas lembranças consigo, as lembranças que mantive adormecidas por todo tempo na esperança de fazer outras surgirem. Ele levou meu luar, levou minhas lembranças, e o sol que sempre se propôs a amanhecer.
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